sexta-feira, 20 de junho de 2014

Impressões - Ultraviolence [Lana Del Rey]



O mais novo álbum de Lana Del Rey é menos pop, mas mantém algumas das características da cantora.


Quando pensei nesse post, minha ideia inicial era falar um pouco sobre cada faixa separadamente, mas percebi que as considerações eram muito parecidas, então juntei tudo em um texto. Vamos lá!

O novo álbum de Lana nos proporciona uma atmosfera melancólica e sombria durante grande parte do tempo. Essa atmosfera criada pelo instrumental e pelos vocais é bem diferente da proposta do Born To Die (com suas sirenes, batidas mais marcadas, efeitos sonoros – enfim, seu instrumental grandioso), o primeiro álbum da cantora como Lana Del Rey, que tem uma pegada mais pop, com pequenas pitadas de R&B e Hip Hop; e também difere do Paradise, seu último álbum, apesar de ainda manter algumas de suas características, como vocais reverberados e refrões com notas bem agudas. O instrumental nesse álbum é um pouco mais suave (não sei se essa é a palavra certa) nos versos bem mais e intenso nos refrões, utilizando bastante piano e guitarra. As músicas, em geral, também possuem algum tipo de introdução, o que auxilia na “separação” das faixas e faz com que cada música possua sua “cara” própria. O álbum é uma mistura de baladas de rock anos 80, sadcore, com traços de R&B, jazz e pop - o hip hop se restringe a Florida Kilos (a Diet Mountain Dew do álbum). Esse novo trabalho também conta com algumas faixas mais retrô, anos 50-60, como The Other Woman (música na qual o efeito nos vocais faz a música soar como as gravações antigas, com seus ruídos), e a voz de Lana cabe perfeitamente em canções desse estilo.

O disco ainda tem traços de músicas antigas de Lana, do tempo de Lizzy Grant, o que, em minha opinião, é algo positivo. Algo que eu gosto do estilo da Lana que se mantém no álbum é que ela mesma faz o backing vocal, armonizando com ela mesma, o que cria uma atmosfera “angelical” (porém o backing vocal masculino no final de Brooklyn Baby faz toda a diferença!).

Em geral, eu esperava algo mais “violento”, agressivo musicalmente, por causa da referência a Laranja Mecânica. O que me foi apresentado não era exatamente o que eu tinha em mente, mas me surpreendeu positivamente.O Ultraviolence é, sem dúvida, um trabalho mais maduro (o que não tira o mérito dos outros trabalhos ;D). Lana cai menos em seus clichês, e, quando cai, como em Cruel World, não acarreta em perda de qualidade, pois o restante (vocais, instrumental, composição) compensa essas frases já conhecidas.

Outra coisa positiva é que as outras faixas do álbum não são inferiores em questão de qualidade quando comparadas às anteriormente lançadas West Coast, Shades of Cool, Ultraviolence etc.

Eu tentei achar pontos fracos, mas nessa primeira vez não consegui destacar nenhum... O álbum é consistente e mantém a linha escolhida até o fim (ou quase - Florida Kilos acaba destoando um pouco) é bem "cinematográfico" (como Lana gosta de dizer), como é de praxe da cantora. Enfim, é um ótimo disco, que não se torna enfadonho com o passar das faixas e que leva o ouvinte para uma viagem no mundo triste que Lana cria.

PS: Is This Happiness e Flipside deveriam estar na versão Deluxe.
PS 2: Eu sou suspeito para falar de Lana Del Rey. Eu gostei bastante da performance de Blue Jeans no SNL...
PS 3: Grande parte do álbum foi produzido por Dan Auerbach, do The Black Keys!

Álbum: Ultraviolence
Artista: Lana Del Rey
Ano: 2014
Duração: 65:22 (versão Deluxe sem as faixas bônus Is This Happiness e Flipside)
Gravadoras: Polydor e Interscope
Recomendo... para quem busca uma música intensa e que foge um pouco dos padrões atuais (não é música de vanguarda, mas é uma alternativa não tão drástica para quem quer escapar das "músicas de rádio").

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