" (...) parece certo fazer esses caras pagarem... E depois, a gente só sabe reclamar enquanto enche a cara, dia após dia! De que adianta ficar só de blábláblá?"
Descobri Revolta! graças ao Cena HQ, projeto patrocinado pela Caixa Cultural Curitiba. Também não conhecia o projeto(!), então foram duas descobertas interessantes que ocorreram graças a uma feliz sucessão de acasos.
A HQ conta a história de um grupo de amigos que, assim como o resto da população, estão cansados de tanta sujeira e corrupção no governo. Acabam encontrando um mascarado misterioso (que, horas antes, havia matado o governador - mas, ferido, acaba morrendo) que os leva para seu esconderijo, onde encontram armas e dossiês virtuais, com as fichas de vários políticos envolvidos em escândalos, informando como e onde executar cada um deles. Decidem, então, dar continuidade ao plano, mas, no processo, acabam se perdendo em seus ideais e entrando em conflito, enquanto seus atos fazem surgir no espaço público uma série de debates sobre esses assassinatos e sobre as revoltas/manifestações que aparecem e ganham força.
A ideia, em si, é muito interessante, principalmente porque punir severamente os políticos corruptos é uma vontade praticamente geral - e a justiça com as próprias mãos parece mais eficiente do que a justiça tradicional, morosa e manipulável pelos poderosos. Além disso, tanto a corrupção quanto as manifestações de insatisfação são temas muito atuais, e o livro explora os temas com uma verossimilhança tremenda.
Acredito que a primeira coisa que tenha me chamado a atenção foi a utilização de Curitiba como plano de fundo da história. A cidade foi bem utilizada, vários lugares e bairros foram retratados. É um diferencial bacana. O autor também retrata muito bem (apesar de não ser o foco o livro) a forma com que a mídia trabalha ao acompanhar casos de revoltas. Ele também mostra o posicionamento de uma socióloga, do jornalista, do filósofo e do povo - cada um enxergando os fatos de uma forma. Os estudantes, os policiais, os políticos, todos são retratados - e isso tudo contribui para enriquecer a história.
As ilustrações são bem feitas e os personagens são realistas (vale destacar que os personagens são humanos - apesar de terem o apoio de grande parte da população, não são heróis; suas ações são erradas e eles estão cientes disso). O desenrolar da história é muito bom, a tensão é crescente.
A história se fecha com o epílogo, que, ao contrário do restante do livro (que é em forma de HQ), é um texto, por extenso. Apesar de alguns pontos serem um pouco forçados, a obra é realmente boa.
A HQ conta a história de um grupo de amigos que, assim como o resto da população, estão cansados de tanta sujeira e corrupção no governo. Acabam encontrando um mascarado misterioso (que, horas antes, havia matado o governador - mas, ferido, acaba morrendo) que os leva para seu esconderijo, onde encontram armas e dossiês virtuais, com as fichas de vários políticos envolvidos em escândalos, informando como e onde executar cada um deles. Decidem, então, dar continuidade ao plano, mas, no processo, acabam se perdendo em seus ideais e entrando em conflito, enquanto seus atos fazem surgir no espaço público uma série de debates sobre esses assassinatos e sobre as revoltas/manifestações que aparecem e ganham força.
A ideia, em si, é muito interessante, principalmente porque punir severamente os políticos corruptos é uma vontade praticamente geral - e a justiça com as próprias mãos parece mais eficiente do que a justiça tradicional, morosa e manipulável pelos poderosos. Além disso, tanto a corrupção quanto as manifestações de insatisfação são temas muito atuais, e o livro explora os temas com uma verossimilhança tremenda.
Acredito que a primeira coisa que tenha me chamado a atenção foi a utilização de Curitiba como plano de fundo da história. A cidade foi bem utilizada, vários lugares e bairros foram retratados. É um diferencial bacana. O autor também retrata muito bem (apesar de não ser o foco o livro) a forma com que a mídia trabalha ao acompanhar casos de revoltas. Ele também mostra o posicionamento de uma socióloga, do jornalista, do filósofo e do povo - cada um enxergando os fatos de uma forma. Os estudantes, os policiais, os políticos, todos são retratados - e isso tudo contribui para enriquecer a história.
As ilustrações são bem feitas e os personagens são realistas (vale destacar que os personagens são humanos - apesar de terem o apoio de grande parte da população, não são heróis; suas ações são erradas e eles estão cientes disso). O desenrolar da história é muito bom, a tensão é crescente.A história se fecha com o epílogo, que, ao contrário do restante do livro (que é em forma de HQ), é um texto, por extenso. Apesar de alguns pontos serem um pouco forçados, a obra é realmente boa.
Curiosidade: Revolta! é um livro independente, que conseguiu ser realizado graças ao Catarse (site de financiamento coletivo). A história era postada em um blog, em capítulos - os primeiros capítulos estão disponíveis para leitura, e também é possível adquirir o livro por lá.
Curiosidade 2: Quando as manifestações estouraram, em junho de 2013, a HQ ainda estava sendo finalizada - logo, as manifestações entraram na história (apesar de que, no roteiro, algo parecido já estava previsto)!
PS 1: Quer cenário mais realista para manifestação do que o prédio da Reitoria?
PS 2: E o nome desses políticos, hein?
Autor (roteiro e desenhos) - André Caliman
Páginas - 210
Ano - 2014
Recomendo... para quem está cansado de tanta corrupção e quer uma revolta!
A ideia das postagens Combo! é integrar duas postagem acerca da mesma obra
Depois de falar sobre o livro Revolta!, vou comentar a leitura dramática realizada na Caixa Cultural Curitiba, no dia 04/06.
Como eu já disse, no início do texto, a Caixa está patrocinando um projeto chamado Cena HQ* - onde são apresentadas leituras dramáticas de quadrinhos diversos -, que está em sua 3ª temporada. Eu não conhecia o projeto, e Revolta! foi minha primeira experiência com leituras dramáticas. Eis o que eu achei da montagem realizada:
Apesar de terem cortado algumas partes da história (algo normal - e talvez até necessário - em adaptações), esse processo de exclusão de algumas cenas foi bem realizado e não afetou o entendimento da trama. Algumas pontas ficaram soltas, principalmente alguns pequenos detalhes e explicações. Ao optar por não encenarem o epílogo, o diretor acabou fazendo com que parecesse que o final ficou em aberto (porém, mesmo se ele realmente tivesse ficado, o entendimento não ficaria - e como eu já disse, não ficou - comprometido).
O diretor optou por não realizar encenações corporais (na maior parte do tempo) - os atores ficaram sentados, enquanto liam dramaticamente. Na minha opinião, foi o melhor a ser feito, já que a HQ aparecia, simultaneamente à leitura, projetada - logo, a imagem falava por si só e não era necessário qualquer tipo de ação corporal. Além disso, a montagem incluiu uma certa musicalidade à obra - contou com dois (?) números musicais encaixados perfeitamente na história e uma trilha no violão, ao vivo. Os atores, excelentes, tiveram liberdade para improvisar - mudaram (sutilmente) os textos, adicionaram falas, e toda essa espontaneidade contribuiu para envolver o público e deixar a peça muito mais divertida. A obra ganhou pitadas de humor, mas sem perder o teor dramático. Foi uma adaptação excelente!
Após a leitura, ainda teve um bate papo com os atores, o diretor e o autor de Revolta!, André Caliman, além de sorteios. É uma pena que as montagens só sejam exibidas uma vez. Eu assistiria novamente, sem dúvidas!
*O projeto Cena HQ é realizado pela Vigor Mortis em parceria com a Quadrinhofilia e com patrocínio da CAIXA, e ocorre uma vez por mês, no Teatro da Caixa, em Curitiba. A entrada é franca. Mais informações, clique aqui.
Direção: Adriano Esturilho
Elenco: Ed Canedo, Igor Augustho, Moa Leal, Tiago Luz, Leonardo Fressato e Michelle Pucci.


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