sexta-feira, 4 de julho de 2014

Impressões - Mary & Max


O filme, que aqui no Brasil ganhou o subtítulo "Uma amizade diferente", é, sem dúvida, um dos melhores que eu assisti nesse ano.

Não se deixe enganar: apesar de ser feito em Stop Motion, Mary & Max não é um filme infantil - o humor negro e os assuntos abordados não permitem essa classificação.

A produção conta a história de dois personagens muito peculiares (e extremamente verossímeis). Mary, uma menina australiana, que graças à sua ingenuidade infantil, não percebe quão problemática é sua família, seu ambiente e, principalmente, sua vida. Não possui nenhum amigo, sofre bullying na escola e não recebe nenhum tipo de carinho de seus pais.
Em um belo dia, Mary decide mandar uma carta para um endereço aleatório que ela encontra numa lista telefônica americana. A carta, que falava sobre ela e continha um chocolate, é enviada para Max, de Nova York, um quarentão obeso, com problemas de sociabilidade (ele é diagnosticado, lá pelas tantas, com Síndrome de Asperger) e uma visão "poética" da vida. Como ambos são solitários (e, ao longo da história, descobrem coisas em comum), aquela parece ser uma boa oportunidade para formar um laço de amizade, despretensiosamente.
Eles mantêm esse hábito de se corresponder, via correio (o filme se passa em 1976), mandando algumas lembrancinhas (desenhos, fotos, bugigangas e, frequentemente, doces) e cartas falando sobre suas vidas, seus pensamentos, suas expectativas.
Ao longo da história, por meio dessas cartas (e também graças ao narrador onisciente), acabamos conhecendo muito sobre personagens, que se tornam cada vez mais próximos (entre eles e de nós).

Temas como a solidão, a depressão, a amizade, os medos e traumas, entre outros assuntos pertinentes são bem trabalhados no filme, que é baseado em fatos reais (!).

O longa australiano foi lançado em 2009 e eu, por alguma razão, não sabia de sua existência até assisti-lo, por acaso. Mas ele não passou despercebido (exceto por mim, aparentemente!): recebeu prêmios e as críticas, em sua maioria, foram bem positivas.

Os aspectos técnicos também podem ser destacados (porém vale ressaltar que a minha percepção sobre esse ponto é limitada, visto que não sou especialista nesse assunto - analiso como espectador). O realismo é grande (considerando as limitações do stop motion, claro) e o filme brinca com as cores (ou a falta delas) de uma forma muito interessante, e que contribui não apenas visualmente, mas conceitualmente.

PS: Para aqueles que choram facilmente (mas não só para eles!), é interessante pegar uns lenços antes de começar a assistir :}

PS 2: Esse filme, que eu nunca nem tinha ouvido falar, virou, assim que eu terminei de assisti-lo, um dos meus prediletos. Acho que foi porque, além de eu ter um fraco pelo estilo de narração utilizado, eu me identifiquei com ambos os personagens. Ah, que filme!

Direção - Adam Elliot
Produção - Melanie Coombs
Roteiro - Adam Elliot
Gênero - Animação, drama / humor negro
Duração - 92 minutos, aprox.
Ano -  2009
Recomendo... Para todos que buscam um bom filme (e que estejam na vibe de um filme triste e sério, mas com humor)!

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