quarta-feira, 16 de julho de 2014

Combo! - Laranja Mecânica - Filme + Livro


"A bondade vem de dentro,6655321. A bondade é uma coisa que se escolhe. Quando alguém não pode escolher, deixa de ser humano."


Grande parte das pessoas já conhece a obra, mas vamos lá: a história se passa em uma sociedade atual (quase futurista), onde os avanços tecnológicos (a transmissão ao vivo, o homem na lua) contrastam com a falta de organização terrena - as ruas são tomadas por gangues de delinquentes juvenis, não há lei e ordem (como clama o mendigo bêbado), e a justiça é tão corrupta quanto os civis. Narrado por Alex, um delinquente que começa a história com 15 anos, o livro envolve e, apesar de ser um pouco complicado no começo (por causa da profusão de gírias, que aos poucos começam a ser decifradas), flui bem e envolve.

Alex vive com os pais, não liga para o estudo, não trabalha - ou melhor, faz "bicos" de noite (como assaltar/espancar/estuprar) com seus amigos, da mesma faixa etária. Porém, por causa de um desentendimento interno, o rapaz é traído por seus companheiros e é preso.
Já engaiolado, ele ouve falar sobre um tratamento que tira as pessoas rápido da prisão. Sem saber com o que estava se metendo, lá foi o jovem, servir de cobaia. O tratamento visava curar Alex de suas perversões, e ele acabou se tornando um rapaz que é forçado a agir de forma bondosa, ficando sem defesas para sobreviver na sociedade cruel.

O autor consegue nos transportar para a realidade de Alex (que não é assim tão diferente da nossa), que com suas expressões nadsat fascina o leitor, seja por causa de sua lábia ou por seu funcionamento doentio.
O ponto principal da obra é: o bem é algo que vem de dentro ou pode ser ensinado (ou imposto)? Ao retirar o poder de escolha (alterando, assim, o comportamento) de alguém, não se perde a qualidade de indivíduo?
Partindo daí, é incrível a quantidade de subtemas tratados que podem ser debatidos: a reintegração dos ex-presidiários, o sistema prisional falho - no sentido de o quanto do tratamento dado aos presos é visando reintegrar, punir, ou o quanto é pensando no benefício próprio (o Tratamento Ludovico serve para "curar" os regenerados pensando em recuperá-los ou em garantir a segurança dos demais?) -, até onde vão os direitos humanos, entre muitos outros.

O livro, de Anthony Burgess, ganhou uma adaptação cinematográfica (que vocês já devem conhecer) dirigida pelo fantástico Stanley Kubrick.

O filme de Stanley é muito fiel ao livro, e é muito, muito bom. O diretor conseguiu, com seus cenários coloridos e roupas espalhafatosas mostrar como é essa cidade moderna e "futurista" (o futuro como era imaginado nos anos 70, colorido, e não a visão de futuro todo branco que a gente tem hoje - que observação útil, carambolas!), um visual muito bacana. As atuações são bacanas também, com destaque para Malcolm McDowell, o Alex. A trilha sonora, como sempre (se tratando de Kubrick), também foi muito bem selecionada. O filme proporciona algumas cenas marcantes e possui um valor enorme, tanto para o cinema quanto para a carreira de Kubrick (afinal, é uma das suas principais produções).

As alterações feitas na história foram sutis e, as mais expressivas, foram realizadas para encurtar algumas passagens sem alterações/omissões que causem grandes problemas. A única grande diferença é que Stanley não colocou no filme o último capítulo, o que, mesmo que tenha conseguido fechar as ideias, parte do entendimento da história pode ficar comprometido.
Eu sei que soa óbvio, mas o último capítulo é o fechamento. No filme, a ideia de que toda aquela ultraviolencia é uma etapa do desenvolvimento do garoto é retirada - talvez porque como o diretor optou por envelhecer os personagens (o que é compreensível), essa ideia de que a rebeldia é uma necessidade juvenil (claro que, no livro, isso foi levado ao extremo), uma etapa do crescimento, acabasse ficando deslocada. Mesmo assim, essa é uma parte relevante da obra que, no filme, se perdeu (o que não causa queda de qualidade, até porque ele se firmou como um clássico do cinema, mostrando que talvez essa ideia não fosse tão essencial assim - a ideia principal se fecha sem ela. De qualquer forma, eu ainda acho uma pena isso ter sido retirado).

PS: Se você já viu o filme mas não pretende ler o livro, não tem problema, você não vai perder muita coisa. Mas leia, se possível, o último capítulo, que talvez algumas coisas fiquem mais claras.

PS 2: No livro, o escritor está escrevendo um livro chamado Laranja Mecânica (o que explicita o significado do nome da obra, o que no filme fica apenas implícito).

LIVRO
Autor - Anthony Burgess
Editora - Aleph
Páginas - 200 (edição de 2004)
Ano - 1962
Recomendo... para quem gostou muito o filme / quem busca uma obra crítica e empolgante.

FILME
Direção - Stanley Kubrick
Produção - Stanley Kubrick
Roteiro - Stanley Kubrick
Gênero - Ficção Científica
Elenco principal - Malcolm McDowell
Duração - 136 minutos
Ano - 1971
Recomendo... a todos que gostam de cinema! Um filme que pode causar desconforto em alguns, mas que vale a pena!

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