sexta-feira, 19 de setembro de 2014

COMBO! - X-MEN: Children Of The Atom


Essa série me surpreendeu de uma forma tão positiva, mas tão positiva, que eu nem sei como começar o texto senão com elogios.


Na cronologia dos X-MEN, a série Children Of The Atom, de 99, é a primeira. Aqui é que conhecemos a vida dos mutantes antes da academia do Professor Xavier e como ela surge.

Um acidente envolvendo um garoto mutante traz à tona o debate de como a sociedade deve lidar com esses novos componentes. Um segmento reacionário está ganhando força: liderado por William Metzger, o surge a chamada milícia anti mutante - um grupo que dissemina o ódio aos "mutunas" (termo pejorativo para se referir aos mutantes) e a ideia de superioridade do homem comum. Atentados e atos de repúdio aos mutantes, que são vistos como ameaça, começam a se tornar comuns - e vindos de todos os estratos sociais.
Nesse cenário, Charles Xavier idealiza uma escola para os adolescentes mutantes (é durante a puberdade que a mutação se manifesta), onde eles poderiam aprender a autodefesa e também a controlar seus poderes. Auxiliado pelo agende Fred Duncan, do FBI (sem o conhecimento do órgão, que pende mais para o lado de Metzger), Charles infiltra-se na escola de Ensino Médio Freeport, como orientador pedagógico, para tentar atrair Scott Summers (o solitário órfão - que está sob a "tutela" de um bandido -, que está sempre de óculos escuros - e que é mutante) para essa nova escola que idealizou.
Na própria Freeport existe um grupo que é pró-Metzger, composto por Chad, Ruben e Starkey, que antipatiza com Hank McCoy (que é um jogador de futebol americano, popular) - por suspeitar que ele é mutante. Também somos apresentados à Bobby Drake, o garoto gelado; Jean Grey e Warren Worthington, um socialite que possui asas de anjo e gostaria de se tornar um super herói.
Enfim, há uma série de desdobramentos empolgantes até que, um a um, Xavier consegue reunir todos em sua mansão - e então vemos os primeiros passos dos X-MEN: o primeiro treinamento, o início da identificação como time, a primeira batalha...
Também vemos onde Magneto e Xavier se tornam, declaradamente, rivais - Magnus crê que os mutantes são seres superiores, logo devem exterminar a raça humana, o que Charles não apoia. Essa divergência de ideias é o que coloca contra o outro.

O roteiro é ótimo, riquíssimo! É verossímil, é envolvente, muito superior à minha primeira experiência, em Dc vs. Marvel. O linguajar jovem foi reproduzido com sucesso e os personagens são bem bolados.
As ilustrações são muito boas, bem acabadas, com uma identidade visual interessante (escolha de cores que remete à tonalidade sépia) e está cheio de quadros com planos criativos.

Algo que enriqueceu bastante a história foi o fato de terem intercalado o desenrolar dos fatos com a opinião pública (via programas de televisão). Mostraram as formas que a mídia explora temas populares e polêmicos de forma absolutamente verossímil, o que, ao menos para mim, foi algo surpreendente e delicioso (até porque esse recurso é utilizado mais de uma vez, mostrando as várias abordagens, e sempre acrescentando à história)!

Quanto ao Metzger, qualquer semelhança com Hitler não é mera coincidência. Os ideais extremistas; a aparência (!); os discursos apelativos e infundamentados, com um quê profético; além das referências à história do partido nazista, como citarem a solução final e o fato da milícia anti mutante ter começado como literatura alternativa. A perspectiva que é utilizada na história para ver os mutantes, como ameaça e infiltrados em toda a sociedade, vem das formas utilizadas para defender e justificar o antissemitismo na Alemanha nazista. E é interessantíssimo o efeito que se tem ao comparar o preconceito e agressões aos mutantes com o nazismo - é garantir o engajamento do leitor na certa!


A série Children Of The Atom é uma obra muito bem acabada, com as seis partes muito bem ligadas entre si. A história tem ritmo, é empolgante (me senti vendo um seriado!) e bem planejada e estruturada. Já reli alguns volumes e lerei novamente!

PS: Vários quadros são cheios de simbolismo, como na cena em que Hank derruba Ruben, as cores utilizadas no fundo no final de um dos discursos de Metzger, além de outras referências e insinuações, como no nº do QG da milícia antimutante, no nome de um dos agentes do FBI, nas vestimentas do grupo que ataca Warren em sua casa (remetendo à KKK)... enfim, são diversos momentos!

PS 2: O magneto é o vilão, mas, convenhamos, ele foi essencial no desfecho da HQ... E eu curti bastante aquela parte, no último volume, em que ele entra no galpão...

PS 3: E aquele personagem, que eu não ligava (e posso até dizer que quase não curtia) durante boa parte da série, e que me fez mudar meus conceitos sobre ele  - e mexeu com as minhas emoções - na última hora!? Eu fiquei me perguntando durante toda a leitura: "Qual é a finalidade desse personagem?" (porque ele surge com muito potencial, que parece não ser muito bem aproveitado). Então eu terminei de ler e entendi tudo!

PS 4: E o quadrinho final, remetendo à primeira aparição dos X-MEN (em 63)?  Clichê, mas super válido!

OBS: Desculpem os vários PS, mas são 6 partes, então está justificado!

Argumento - Joe Casey
Ilustrações - Steve Rude, Paul Smith e Essad Ribic
Editora - Marvel Comics
Nº de Edições - 6
Páginas - 32 (1ª edição), 22 (2ª, 3ª e 4ª), 23 (5ª) e 24 (6ª)
Ano - 1999
Recomendo... Aos fãs de quadrinhos e aos que querem começar - sério, é muito boa!

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